terça-feira, 9 de agosto de 2016

Sabes o que é o silêncio? Não é quando não tens nada para dizer, silêncio é quando calas as palavras 
quando engoles o teu choro e sentes o seu lento sufocar.
Silêncio não é quando vives calado sem nada a acrescentar, silêncio é quando tens um turbilhão de pensamentos 
sofridos que não podes libertar.
A tua existência não é sentida, acumulas os dias que são todos iguais. 
Dias após dia, hora após hora... vives dentro de numa bolha fina e enfraquecida mas de onde pensas não conseguir sair jamais.
Vives adormecido pelo embalo lento que crias-te, na espera eterna de uma colisão que te possa libertar.
E eis que te sentes a despertar... 

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Tu estás a crescer. Todos os dias nesta tua tenra vida, estás a crescer. Um dia destes os meus braços já não te vão conseguir elevar ao meu colo, um dia destes serei eu a mais pequenina. Serás adulto e a tua voz será forte, tão forte quanto os teus braços. Serás responsável e a maturidade das tuas conversas de pessoa crescida farão os meu olhos transbordar de vaidade desmedida.
Prometo continuar a ser chata, a pedir-te que vistas o casaco e que não deixes comer no prato. Prometo continuar a dar-te sermões se achar que os mereces ouvir. Continuar a ser a tua estrela guia. O teu farol. A tua fonte de energia.
Mas sobretudo prometo continuar aqui, sempre a acreditar em ti. 


sexta-feira, 23 de outubro de 2015

É noite, paira o silencio em redor de nós.
Deixei que noite chegasse e te abraçasse num aconchego sem fim.
Vejo-te dormir, completo e verdadeiro pedaço desfragmentado de mim, contemplo-te e tenho vontade de te roubar ao tempo.
Viajas por mundos imaginários és caçador de sonhos e o teu sorriso é fraqueza em mim, pequeno guerreiro com armadura de cetim!



segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Filho, posso confessar-te um segredo? Os dias sem ti passam devagar, os ponteiros do relógio estão de mim a troçar… apenas se movem se eu os olhar. Já tentei cair no sono e sonhar contigo, mas a saudade que tenho de ti faz o meu cérebro despertar.
Cá em casa sem ti só se ouve o silêncio e nem os pássaros param no jardim para nos cantar chilreios sem fim.

Eu costumava ser assim. Ter tudo arrumado, toalha limpa na mesa e chão imaculado.
Costumava ler um bom livro com uma caneca de chá a acompanhar, mas depois descobri que livro bom são as histórias de embalar para depois adormecer a teu lado ouvindo o teu respirar.
Eu costumava gostar dos dias de chuva porque que me faziam relaxar, mas depois descobri o quão maravilhoso são os dias de sol porque posso contigo brincar!

Aquela que fui se me pudesse ter conhecido é certo… que me iria invejar.


sexta-feira, 4 de setembro de 2015


Agarras a minha mão no mesmo instante em que tocas o meu coração. A poeira cobre-me os pés mas eu sinto-me a caminhar nas nuvens!

segunda-feira, 27 de julho de 2015


                                                      Uma casa, um lugar... uma família.

Estas paredes que nos cercam e se levantam de encontro ao céu, estas paredes que são testemunhos silenciosos de um desenrolar de vidas que se entrelaçaram, que se ligaram ou até mesmo afastaram.
Estas paredes que nos admiram caladas, que agora vivem na penumbra, apenas de memórias revestidas de um passado que acabou.
O vazio é agora quem a habita, e embora de portas abertas ao mundo ninguém mais a visita.


segunda-feira, 20 de julho de 2015

As chuva caí la fora, são lágrimas do céu vertidas pela crueldade que paira por este mundo fora.
As gotas que embatem nestas vidraças estalam e deslizam deixando um fino traço, uma corrente de esperança que as segue até ao infinito... não existe fim, a imortalidade foi-lhes concedida nos primórdios do tempo.
Saiu porta fora deixo-me levar por essa corrente que me banha e me afunda, purifico o meu ser com essa imortalidade momentos antes de me devolver à superfície perigosa que me sustenta.