Eterno como tu, como eu, como nós... eterno como tudo o que nos envolve num mundo de sonhos e ilusões, de vontades e desejos insaciáveis que nos mastigam por dentro e nos devoram o ser.... Deixa-me escutar-te nas palavras que não dizes, nas palavras que estrangulas por vergonha ou por medo, ou sei lá porquê...
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Vida... pequeno puzzle que carrego nas mãos ao longo de um sem fim de palmos de terra que vou pisando de forma desmedida. Coloco todo o meu empenho num pequeno e curto jogo cujas peças vou reunindo a cada etapa do meu trajeto.
Tic... tac... o relógio acelera, o tempo passa... meu pequeno mundo de memorias cor de prata.
Cansada de uma rotina estonteante que me deixa sem fôlego.
Cansada por ter de pisar todos os dias as mesmas calçadas já gastas pelo correr dos anos apressados que lhe levaram parte do ser.
Perco-me em ruas sem saída, em becos sombrios onde os vultos da noite se recolhem ao meu redor e me atormentam... quero fugir, preciso fugir!
Sentir o leve toque tão doce de uma borboleta que transporta nas asas o pólen da vida... eu não tenho asas, mas juro que conseguirei voar no instante em que a corrente da vida começar de novo a circular dentro de mim e o meu coração ganhar vida.
Sais a voar dentro de mim por cada vez que um gesto perdido me atropela com recordações de que já me tinha esquecido.
A dura realidade troça de mim por saber que conquistei a terrível certeza de que nada mais posso fazer.

Quando o tempo já estiver perto do fim, quando as folhas começarem a cair e eu repousar suavemente num banco de madeira perdido algures no meu jardim, passarei a mão pela minha face rugosa de lembranças entranhadas com que o tempo me banhou...
Sentem-se os anos passar, numa velocidade que ninguém é capaz de controlar.
É quase Natal... faz frio lá fora, a chuva não pára de cair e os chapéus de chuva passaram a ser um bem necessário. Já quase todas as janelas têm uma árvore de Natal iluminada e decorada a rigor, um presépio que conta uma história e uma lareira acesa para aquecer a casa. Os familiares visitam-se uns aos outros, trocam presentes, doces, sorrisos e abraços que aquecem a alma até dos mais frios. As crianças começam a descobrir o encanto desta época, escrevem cartas a pedir presentes e esperam apanhar de surpresa o homem "barrigudo" de barba branca a descer pela chaminé.
O Natal traz-me recordações que guardo no livro da minha própria história. Um encanto que nunca foi perdido...

Guardarei comigo esta luz imensa que cresce dentro de mim por cada vez que penso em ti.