
"Dias que acordam cobertos de um manto branco fino e delicado, noites que se apresentam com um sopro de vento cruel que nos arrefece por fora.
Vê-se ao longe a chaminé a fumegar, a casa tem a porta encostada e de longe já se vê o aconchego do lar... vou entrar, é Natal e tu estás á minha espera! Levo nos braços um abraço em forma de presente para te dar, o mesmo que te dou todos os anos mas que parece sempre novo tal é a vontade de te abraçar!
Saudade.
Fecho os meus olhos por instantes, sonho contigo!
Carrego-te comigo no meu ventre e protejo-te do mundo cruel lá fora.
Quem me dera que te pudesse proteger para sempre, que os espinhos da vida nunca te ferissem e o que o teu rosto nunca conhecesse a expressão da dor.
Quem me dera poder obrigar o futuro a ser generoso contigo!
Abro os olhos e sonho de novo contigo, o instante em que a minha força e coragem te trará ao mundo e os meus braços possam ser conhecedores da verdadeira ternura.
Sonho contigo... porque és o meu sonho! O sonho da minha vida.
É noite.
Uma estrela cadente cruza o céu num triste bailado de despedida,com uma saída triunfante num momento de agonia.
"Rápido... fecha os olhos, make a wish!!"
Ouvi-te dizer que as estrelas transportam os nossos sonhos e que depois o sacodem como poeira pelo universo para que caiam sobre as nossas cabeças e se possam realizar. Será verdade?
Eu desejei ter-te comigo, não naquele instante mas sim para toda a vida. Desejei que a tua presença carregasse de razão cada segundo da minha existência. Que a tua mão nunca se cansasse de procurar a minha e que dessa forma me pudesses conduzir em cada trajeto da minha vida.
Os longos minutos que perdemos a abraçar a vida por tudo o que se tem, não é tempo perdido. O tempo que se gasta com tudo o que nos enriquece por dentro faz de nós seres imortais de asas brancas compridas que sobem ao alto e cruzam os céus carregando no rosto uma forte expressão de alegria.
Eu abraço a vida... abraço quem gosto e quem gosta de mim, abraço forte e abraço suave, abraço quem me olha e quem me sorri, abraço só por abraçar e abraço na esperança de que que a força do meu aconchego liberte todos os sonhos que carrego dentro de mim em segredo...
Letras, refúgio dos meus dias pintados de negro que nada deixam transparecer. Letras que se completam com sentidos e emoções, resgatadas de uma atmosfera fria e vazia numa qualquer manha em que os meus braços procuram os teus.
Letras, é o que de mais puro carrego comigo apenas para te oferecer...
O conforto do teu abraço é um vicio e nas minhas palavras encontro a melhor forma de o descrever.
Eterno como tu, como eu, como nós... eterno como tudo o que nos envolve num mundo de sonhos e ilusões, de vontades e desejos insaciáveis que nos mastigam por dentro e nos devoram o ser.... Deixa-me escutar-te nas palavras que não dizes, nas palavras que estrangulas por vergonha ou por medo, ou sei lá porquê...
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Vida... pequeno puzzle que carrego nas mãos ao longo de um sem fim de palmos de terra que vou pisando de forma desmedida. Coloco todo o meu empenho num pequeno e curto jogo cujas peças vou reunindo a cada etapa do meu trajeto.
Tic... tac... o relógio acelera, o tempo passa... meu pequeno mundo de memorias cor de prata.
Cansada de uma rotina estonteante que me deixa sem fôlego.
Cansada por ter de pisar todos os dias as mesmas calçadas já gastas pelo correr dos anos apressados que lhe levaram parte do ser.
Perco-me em ruas sem saída, em becos sombrios onde os vultos da noite se recolhem ao meu redor e me atormentam... quero fugir, preciso fugir!
Sentir o leve toque tão doce de uma borboleta que transporta nas asas o pólen da vida... eu não tenho asas, mas juro que conseguirei voar no instante em que a corrente da vida começar de novo a circular dentro de mim e o meu coração ganhar vida.
Sais a voar dentro de mim por cada vez que um gesto perdido me atropela com recordações de que já me tinha esquecido.
A dura realidade troça de mim por saber que conquistei a terrível certeza de que nada mais posso fazer.